Diário de um Recém-ateu

14 de fevereiro

Acordo às 6h00. A noite não foi muito boa. Juvenia acordou de madrugada com enxaqueca forte. Beatriz acordou tossindo muito. O noticiário fala de violência e mostra um corpo envolto em um lençol. Eu queria poupar minhas filhas dessas coisas, mas estão presentes em todo momento!

Quase 22h00, estou no HGWA de plantão. Os mesmos pensamentos me perseguem. Somos apenas relógios que um dia perderão a corda e deixarão de marcar seu tempo? Penso que sim, e não consigo mais me convencer de nenhum contrário. Hoje pela manhã a Sofia chorou para que eu ficasse com ela. Disse-lhe que ela se juntasse ao grupo que eu observaria um pouco, à distância. Após um ‘enterro’ improvisado de um inseto morto organizado pela professora, ela separou-se do grupo e andou de volta para a sala, com cara de choro, obviamente me procurando. Chamei-a. Automaticamente ela ficou tranqüila e, então, o adeus foi sem mais choro nem trauma. Por isso nunca minto para elas. Por isso nunca ameaço abandoná-las, de brincadeira ou para conseguir obediência. Por isso acho que tudo que ela precisa de nós é segurança e paciência. Por isso acho que esses momentos são e serão o mais próximo que um dia chegarei da felicidade e da eternidade.

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