Diário de um Recém-ateu

22 de fevereiro de 2007 (escrito dia 23)00h00

Estou internando uma menina de 6 anos com miastenia gravis em crise e
pneumonia
– preocupo-me com seu estado.

01h00

Ela sofre uma crise miastênica com apnéia e provavelmente broncoaspira
maciçamente, inicia seu calvário, do qual compartilharei.

02h00

Ela está morta – fiz tudo o que sabia para salvá-la e, durante as manobras
de reanimação, enquanto massageava seu precórdio, em frenesi, somente
conseguia pensar “não vou perdê-la, não posso perdê-la.” O pior de tudo foi
contar à mãe logo em seguida. Senti-me miserável por todo o dia e acho que
ainda sinto-me hoje.
Não consigo acreditar que algo havia naquela menina que tenha sobrevivido,
só consigo pensar em seu fim e no vazio em seguida. Tinha medo disso – do
contato com a morte após perder minhas ilusões. Porque vivemos, se morremos?
Porque morremos, se vivemos?
Sempre, sempre, lembro de Juvenia, minha mulher, e da oportunidade única e
individual de termos nos conhecido e nos amado, e de como isso dá valor a
toda a minha vida, minha existência fugaz e, de outra forma, fútil.

“Haja ou não alguém que a acompanhe, uma pessoa sempre morre sozinha.” –
Irvin D. Yalom
“Amor fati – Ama teu destino.” – Nietzsche

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