Todos os dias

Em parte, nosso comportamento é análogo ao das formigas: todo dia a gente faz tudo sempre igual (como na música do Chico) e, quando a gente morre, outro vem e assume nosso lugar. Essa impessoalidade associada a nosso destino talvez enchesse mais de horror o ser humano antigo do que a perspectiva da morte em si. Hoje em dia, no entanto, as pessoas só ligam para o aqui e agora. Vejam só as religiões evangélicas atuais: hoje pela manhã assisti quase 1h de programa televisivo da Universal e, embora falassem muitas vezes em deus, não lembro de terem mencionado "outro mundo" ou "outra vida" ou ainda "alma". Falaram muito de espírito, mas como conceito anímico de mal: tudo de ruim que ocorre é causado por espíritos do mal e apenas deus pode nos proteger e nos dar a bem-aventurança, aqui e agora. Donde podemos concluir: somos um joguete para a batalha entre bem e mal, meio à la John Constatine, nossa alma imortal (e sua salvação) já são menos valiosas que a graça que deus pode nos propiciar hoje e, por último, vivemos ameaçados por espíritos maléficos que dividem este mundo (não o outro) lado a lado conosco. Religiões do momento presente. Elas ainda têm escatologia, mas essa é uma característica menor, meio no "background". Assim, as pessoas aceitam serem como formigas, desde que sejam formigas iluminadas pela graça de deus. Como na fábula digital de Matrix, que acho ter muito mais a ver com nosso estilo de vida do que pensamos. Afinal, passar a vida toda iludido pelas poderosas "simulações" engendradas pelas sociedades (fé, honra, família, sacrifício, hedonismo, etc), trabalhando incessantemente às vezes não se sabe bem porque, não soa algo parecido com ser pilha de máquinas? Vivemos todos numa matrix?

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