Feliz Ano Novo!

O simbolismo do Ano Novo é inequívoco, e todas as pessoas, de um modo ou de outro, têm suas vidas direta ou indiretamente modificadas pelos eventos que ocorrem nesta data. No entanto, a bem da verdade, os segundos que escorrem entre o "velho ano" e o "novo ano", enquanto pessoas comemoram, cantam, fazem contagem regressiva, comem uvas, derramam champanha para trás, ou fazem quaisquer outras coisas ou rituais, hábitos associados ao ano novo, nada têm de especial. Especial é justamente aquilo que as pessoas fazem nestes segundos. Ou seja, o ano novo é aquilo que as pessoas carregam dentro de si, externalizado de diversas maneiras possíveis e imagináveis, numa data específica, escolhida há muito tempo atrás, num momento esquecido nas trevas do esquecimento (ou Letes…, ou seria Nix?).
Uma pesquisa rápida na internet, o maior repositório existente de informações verdadeiras, falsas ou imaginárias, ajuda mais a criar confusão do que a esclarecer sobre a origem do ano novo. A wikipédia em português trás um verbete que mais lembra uma nota da "desciclopédia" de tão cercada de imprecisões. Não tendo nenhuma citação de fonte, é-nos completamente impossível diferenciar entre os 3 tipos de informação da net (verdade, falsidade, imaginação). , aprendemos que foi Júlio César que promulgou um decreto tornando o primeiro de janeiro a data oficial do ano novo, em 46 a.C. No entanto, o "Guia dos Curiosos" do portal Ig, nos diz que somente em 1582, com o advento do calendário gregoriano, o ano novo passou a ser comemorado em 1 de janeiro, sendo antes em 23 de março, tendo origens remotas nos babilônios. Mais uma vez, sem citações de fonte. Continuando nossa peregrinação pela verdade-mentira-imaginação, chegamos no sítio "Que dia é hoje", onde temos uma interessante página sobre a origem do natal e do ano novo, citando uma festa pagã da mesopotâmia. Sem citações de fontes bibliográficas, nossa única pista de que o sítio contém informações não confiáveis é sua história de que um publicitário da coca-cola criou a imagem atual do Papai Noel. Essa é uma das mais populares "lendas modernas" da internet, ou um meme altamente bem sucedido, como diriam Dawkins e Dennet. Mesmo assim, é falsa. Vide a página da wikipédia em português sobre Papai Noel, dessa vez com citações de fontes e referências externas a fatos objetivos que corroboram sua versão de que a Coca-cola não "recriou" a imagem do Bom Velhinho, apenas popularizou uma de suas versões mais recentes àquela época, que fora criada por um cartunista de uma revista de variedades, no século XIX. Meio pecado da Serpente Americana, apenas, para os satanistas anti-capitalistas de plantão…
Continuando a busca pelo Ano Novo, um sítio da miniweb trás uma versão intermediária, onde fala de Júlio César, mas também do Papa Gregório, explicando que a igreja procurou substituir o ano novo pagão pelo ano novo dos romanos (o juliano). Traz uma interessante versão do Dia da Mentira, que seria um falso ano novo. Citam fontes, viva! Mas é Monica Buonfiglio, buááá.
Depois de mais procura, mais sítios que citam os anteriores e assim por diante, numa citação cíclica de coisa nenhuma.
Bom, cansei dessa vivissecção do ano novo. Deixe o feriado em paz! Ele existe, e pronto.
Feliz Ano Novo, Feliz 2008!

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