A volta do Recém-ateu

Passei um tempo considerável sem postar neste blog. Volto ainda ateu, mas de uma forma estranha, ainda recém-ateu. Não me sinto como se fosse desprovido de crenças religiosas há muito tempo. Sinto-me constantemente num estado de frágil equilíbrio. Tal e qual a pena ao vento de Forrest Gump. Que citação! Bem, é para combinar com alguns dos autores que citarei a seguir. Nesse um ano que não postei li pouco fora da minha área de trabalho, pois estava muito envolvido com publicação científica. No entanto, li Richard Dawkins, Amit Goswami e Loren Eiseley. A conclusão a que cheguei: o único autor que não me fez perder tempo foi Loren Eiseley!
Sinceramente, Richard Dawkins é xarope! Sua filosofia é primária, seus argumentos são facilmente discutidos e sua ciência é somente especulação vazia. Qual é a vantagem dele sobre o idealismo pseudopoliticamente correto de Amit Goswami? Dawkins e Goswami são ambos dogmáticos defensores de suas idéias pseudofilosóficas e, quando os argumentos acabam, partem para a briga – agridem os seus detratores. Ambos têm argumentação baseada principalmente em suas opiniões e em jogos lógicos suspeitos, e não em evidência. No entanto, ambos arrogantemente acham que estão revestidos da maior de todas as verdades. Ambos baseiam suas crenças em idéias científicas aceitas mas polêmicas (darwinismo e mecânica quântica), coincidentemente pouco entendidas pela maioria e fadadas a gerarem idéias esdrúxulas nas mentes de pseudocientistas que "interpretam" suas consequências. Ou seja, ambos são pastores ou bispos defendendo sua exegese particular de suas "bíblias". Ambos lucram com sua atividade "intelectual". Ambos usam suas idéias para gerarem um código moral particular, mesmo que oculto por uma postura supostamente isenta do ponto de vista ético, vagamente embutido dentro de suas opiniões. Como o fato de Dawkins criticar mais ardentemente as religiões não ocidentais (como a islâmica, baseando-se no fato de que uma ínfima quantidade de islâmicos é terrotista, mas esquecendo-se do monte de malucos protestantes dos EUA e europa) e Goswami defender o misticismo oriental e criticar a religião judaico-cristã. Os dois são farinha do mesmo saco e se o ateísmo e o idealismo religioso dependesse desses dois, estava tudo perdido!
Descobri Loren Eiseley lendo uma deturpação muito conhecida de um de seus ensaios: "The star thrower" (o atirador de estrelas). A história, muito conhecida, pode ser lida aqui em uma de suas versões populares: http://www.starthrower.com/star_thrower_story_script.htm. Essa versão foi criada pelo orador motivacional Joel  Barker, para servir como exemplo em palestras em empresas e faz parte de um vídeo de 6 minutos gravado por ele. A idéia básica de Loren Eiseley, intrinsecamente pessimista, porém contendo um inesperado otimismo pouco óbvio e baseado numa crença na imprevisibilidade dos seres vivos (para entender isso é preciso ler o ensaio completo de Eiseley) foi alterada para transmitir a importância do papel de cada um numa estrutura maior. Claramente voltada para gerar os 60% de funcionários "felizes" que fazem exatamente aquilo que se espera deles e a quem os empresários mais desprezam (isto dito num episódio do reality show "O Aprendiz" pelo empresário Roberto Justus, que declarou que os melhores funcionários são os 30% ou menos que "criam"), afastou-se bastante do sentido original de Eiseley. A idéia de Eiseley está longe de tentar fazer com que nos satisfaçamos com o pequeno, pelo contrário, ele transmite inicialmente uma tal impressão de impotência diante da grandeza do universo que chega a ser sufocante. Para depois achar, do inesperado, uma fonte de liberdade e beleza difíceis de descrever. Ler este ensaio mudou um pouco a maneira como vejo as pessoas e as coisas em geral, além da minha própria idéia sobre ateísmo e religião. Depois de ler Loren Eiseley, profundo, denso, pessimista, ateu, mas dono de um olhar único para a beleza do mundo, finalmente compreendi a pequeneza de pessoas como Dawkins.

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