Novo livro de Stephen Hawking

Comecei a ler “The Great Design”, do eminente matemático e físico Stephen Hawking, que todo mundo conhece apenas pela sua condição física, restrito a uma cadeira de rodas e com cara de espantalho devido à ELA, e não pelas suas idéias. Ao cabo de 2 capítulos, estou cada vez mais convencido de que, com 70 ou 170 de QI, não deixamos de ser todos muito humanos. Logo de entrada, Hawking dispara “a filosofia está morta”, idéia que, embora claramente coerente com o restante de seu pensamento, nos é introduzida com aquela displicência desprovida de fatos que os cientistas guardam para o que eles acreditam serem as maiores obviedades do cosmo. No segundo capítulo, ele declara-se adepto do determinismo científico em sua versão mais radical, Laplaciana, e define o livre arbítrio como uma ilusão sofisticada. Sem parar para ponderar que tal idéia provavelmente soa tão improvável para a maioria quanto os exemplos de crenças primitivas e animistas com as quais ele brincara, penso que a óbvia existência de fenômenos estocásticos e, mais ainda, os não tão óbvios sistemas complexos ‘quasi-deterministas’ não devem fazer parte do mundo de Hawking. Mais perturbado fico quando lembro que a mais bem sucedida teoria científica existente, capaz de prever eventos com uma precisão de nove casas decimais, a mecânica quântica, não é determinista do ponto de vista clássico. Ainda no seu início, esta nova obra de Hawking, que se propõe a mostrar ao leigo que a ciência já consegue explicar tudo no universo, inclusive porque ele existe, compromete-se claramente com um paradigma bem definido a priori – determinismo materialista clássico – meio démodé dentro da própria física moderna, que pulula com idéias bem estranhas. Hawking junta-se, assim, a grandes nomes como Roger Penrose (este idealista matemático, platonista), que, em idade avançada, escreveram livros para leigos de fôlego, apenas para defender seus pontos de vista particulares. Resta saber se “The Great Design” vai ter a mesma influência que “The New Mind of The King”, lido por poucos e citado por muitos. Possivelmente não, a não ser que alguma ‘seita’ entorte seus conceitos para torná-lo popular. Para mim, ler o restante do livro vai ter aquele sabor chocho de filme que mata a ação nos primeiros 15 minutos. Tomara que pelo menos a pipoca seja boa! Bom, em matéria de livro sobre ‘ciência’ que tenho lido ultimamente, As Cosmicômicas de Ítalo Calvino vai ganhando…

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